10 de agosto de 2009

Adelaide.

Estou na sala de piano agora....
Sentada na cadeira, me procurando entre as linhas do papel...
Meu café reflete uma imagem que eu, realmente, não conheço. Chega a dar um nó na garganta...
Tenho recebido cartas de uma tal Adelaide.
Ela diz ser um anjo, e tem me guiado...
As cartas começam com um cabeçalho, aonde escritas estão: a data que ela me enviou, e a data que lerei...
Impressionante: Se me atraso, ela sabe, e, por isso, escreve exatamente a data que eu, de fato, lerei o que ela me escreveu.
Voltei da caixa do correio há pouco, e por isso minhas mãos estão trêmulas e talvez minha letra não fique a mesma... Tenho muito medo do que posso ler.
Porém, a curiosidade e a vontade de saber viver emitem uma força sobre o meu corpo, e eu levo a minha mão até a abertura do envelope...

"Algum lugar do infinito, 23 de setembro de 1955
(Escrita no dia 12 de setembro de 1955)

Querida Bárbara,

Gostaria de dar continuidade a primeira carta que lhe enviei, em junho.
Tenho passado os dias te observando... Não me impressiona sua pressa de vida, a sua indecisão e a sua mudança de planos seguidas de choros.
Mas me preocupa a sua euforia de viver, que te cega.
Olhe para frente, agora.
O que vê?
O piano não é a única coisa que de fato está na sua frente, querida.
A sua frente, uma legião de anjos lhe observa
A sua frente, crianças estão a sorrir, pessoas felizes estão a correr,
E eu, estou sentada, escrevendo para você...
Você que não me vê, mas pode me ler, e até talvez, seguir minhas palavras.
Talvez não devesse interromper sua estadia em seu plano, mas acho justo.
Está no caminho certo, mas pense que pode não estar enfrentando-o de forma correta.
Seguiremos juntas nessa caminhada. Serei ausente na medida certa, e estarei ao seu lado em cada passo...

Adelaide"


Estou confusa com o recado de Adelaide...
Se não a impressiono com a pressa da vida, porque a minha euforia de viver lhe preocupa, e o pior... Me cega?
A vida... Ela quer dizer que a vida já está na minha frente!
As crianças, sim, as crianças estão sorrindo, e as pessoas correndo porque elas estão... vivendo!!!
Minha cabeça está a mil. Quantas intepretações posso fazer dessas palavras...
Espero ansiosamente a próxima carta..
Tomo meu gole de café amargo, passo a mão no rosto e me pergunto:
O que será de mim, quando levantar dessa cadeira?

O piano toca.


"I am colorblind,
Coffee black and egg white.
Pull me out from inside.
I am ready.
I am ready.
I am ready.
I am
Taffy stuck, tongue tied,
Stutter shook and uptight.
Pull me out from inside.
I am ready.
I am ready.
I am ready.
I am...fine.
I am covered in skin.
No one gets to come in.
Pull me out from inside.
I am folded, and unfolded, and unfolding.
I am,
colorblind,
Coffee black and egg white.
Pull me out from inside.
I am ready.
I am ready.
I am ready.
I am...fine.
I am.... fine.
I am fine."

5 comentários:

  1. eu achava que eu sabia escrever, acredita?

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  2. ... Rá!

    mas eu tô vendo que não sei é na-da!

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  3. O piano toca... mas queria ser tocado por você. Cadê a partitura?

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  4. A partitura é singular. A partitura nem o músico mais requintado, estudado e ovacionado conseguiria ler...
    somente Bárbara, só ela.

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  5. genial. genial... vc me assusta. vc me intriga! Você?

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