22 de junho de 2010

"É o tempo que te tem, menina.

o tempo me diz que rir da juventude é atestado de estupidez.

as décadas ridicularizam as piadas etárias, enquanto, você, tão moderno, enche a cara e abraça a constituição.
veste a carapuça da caretice. chama a polícia, porque tem menor bebendo uísque, enquanto você bebe alcatrão.

Digo, pois, que o maior problema de quem confunde maturidade e maioridade é o fim do horário de verão:

eis que, o desagradável da vez, percebe que uma hora não lhe faz a menor diferença.

é, nada mais, do que um tempo a mais pra pensar nos verões que passaram e nas novidades que parecem tão repetitivas hoje.

diante disso, ver você, que valoriza o florescer, ter uma hora a mais para ser interessante, é foda.

No tempo que passou, a maturidade foi tecida com cuidado, como vejo você tecer a sua, menina.

certas armadilhas nos fazem amadurecer rápido, você muito bem sabe.

o tempo fez de nós velhos jovens.

Velhos jovens que nauseiam diante da limitação imposta por valores morais antiquados, reforçados aos quatro cantos por pessoas pouco interessantes.

enfio nelas, agora, o gosto da maioridade.

e você, menina, goza.

olha como giram os ponteiros, na cadência que você gosta.

no atraso do relógio, os que não gozaram na hora passada são os mesmos que fazem piada da juventude.

então goza o tempo.

porque é o tempo que te tem, mulher."



Texto escrito por Tainá Lopes. Tudo a ver.

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